quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Presos

Ele a prendeu com seus braços e pernas.
"Está presa" ele disse.
Ela olhou para ele longamente.
"Eu gosto de estar" ela falou.
Ambos sorriram.

domingo, 26 de dezembro de 2010

O desespero bateu a porta dela.
Não, bater não seria a descrição correta.
O desespero empurrou a porta, a deixou em pedaços.
Avançou.
Ficou frente à frente com ela.
E com força, cravou seu punhal bem no meio de seu peito.
Ela deixou as lágrimas virem enquanto o coração sangrava.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

This is what I need now

Deusa

Ela está deitada na cama dele, ouvindo as melhores músicas do mundo. E por aquele instante, o embalo da música não deixa que ela pense em qualquer outra coisa. Ela é uma grande deusa. Nenhum tipo de problema poderá afetá-la, enquanto ela estiver ali; deitada, quieta, olhos fechados, respirando devagar.
Ar indo.
Ar vindo.
Por aquele instante ela é a grande deusa.

domingo, 21 de novembro de 2010

Desmoronando

Ela acorda às seis da manhã, sonolenta e cabisbaixa. Toma um banho de água fria e depois vai fazer uma caneca de café para si. Abre a porta do armário e o pote de café está vazio.
Merda. Esqueci de comprar café. Lá se vai meu dia.
Mais uma pequena catástrofe nos dias aflitivos que a vida vem dando à ela.

Sol Particular

Eu tento fechar os olhos, mas ele continua lá. Em minha mente. E por mais que eu queira esquecê-lo, não consigo. Sinto como se ele fosse o sol. Eu continuo tentando fechar meu olhos para não ver sua luz, porém apesar das pálpebras fechadas, eu continuo a sentir o seu calor. Ele ainda está lá.

sábado, 20 de novembro de 2010

Amigos?

Quando ela o beija na bochecha, ela fecha os olhos ternamente. Ela coloca seus lábios no rosto dele com muita delicadeza, enquanto ele também fecha os olhos. Você sabe que eles nunca serão mais do que amigos.
Ela gosta de protegê-lo, ele gosta de abraçá-la. E você continua sabendo que eles nunca serão mais do que amigos.
Eles tem um grande amor um pelo outro, um amor que não se conclui fisicamente. Um amor fraterno, porém, de certo modo eles sabem que não é só isso, se sentem bem mais do que somente irmãos.
Eles apenas não sabem explicar o que sentem.
Mas quer saber de uma coisa? Não importa que tipo de amor seja esse. Só importa que eles tenham esse amor e que ninguém possa tirar deles. E ninguém vai tirá-lo deles, porque o amor é uma combinação do que está na mente e no coração. E o que entrou nestes lugares não sai tão facilmente e se saiu, é porque nunca esteve lá.

domingo, 13 de junho de 2010

Insônia

Caderno, pedaço de jornal, pinturas, relógio, garrafa, pedaço de maçã dentro de uma copo, dois origamis, caixinha, cds, dvds, uma caneca, uma xícara, um porta-lápis, uma polaroid, um dico de vinil, uma caixinha de música, gavetinhas, pincéis, lápis, canetas, compasso, papéis, moedas, miniaturas de ursos, sapos, meninas, cavalos, gatos, cartões, blocos de notas, broches, agenda, chaveiros, envelopes, clips, borracha, livro, baralho, dicionário, calculadora, réguas, cola, grampeador, um saco de biscoitos vazio, colagens, bombons de café, desenhos, cifras, celular, chaves, óculos, carteira, remédio, iPod, marcador de página, estojo, vidro vazio de perfume. Isso é o que eu tenho em minha mesa.

O que me leva a descrever isso às 3 da manhã? A insônia.

Não Faço Parte Disto

Eu estava o observando de longe. Observando cada detalhe de seus movimentos. Ele estava sentado na grama, debaixo de uma árvore, com um grupo de amigos. Eles conversavam animadamente. Subitamente ele começa a gargalhar. Ele me assusta rindo desse jeito. Me assusta porque ele parece tão feliz e eu não faço parte disso. Não estou lá com ele agora, nem nunca estarei.

Mas ele estará sempre comigo.


Não ao lado, mas dentro. (Polly)

sábado, 12 de junho de 2010

Ele finge que diz a verdade, ela finge que acredita e assim vão vivendo nessa harmonia agonizante.
You know I'll help you, always.

Deixar, mas não abandonar

Ele não sabe quando percebeu que já não queria mais conversar com ela. Ela havia mudado de algum jeito, não era mais aquela pessoa gentil. Ele começou a pensar que não a conhecia tão bem, e que, talvez , ela só agisse com a formalidade com que estranhos se tratam às vezes, por necessidade. Ele percebeu como isso era triste, mas precisava deixá-la. Porém ele não a abandonaria, só não seria mais seu grande amigo, seria somente um conhecido, apenas compartilharia com ela as bordas de sua existência.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Plenitude

É curioso o fato de que, naquela madrugada, eles estavam conversando tanto. Ela já havia tomado cerca de 6 xícaras de café e ele havia, praticamente, fumado todo o maço de cigarros. Parecia que os anos que passaram sem se ver não haviam existido. Agora ela se sentia viva e ele, completo.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Café, Livros e Música


Dê a mim um pouco de café, livros e música. E se não for pedir muito, também gostaria de um caderninho e um lápis.
Prometo que ficarei aqui no meu canto e não perturbarei ninguém com meus pensamentos insanos.

sábado, 22 de maio de 2010

Do que tu tem medo?

"Do que tu tem medo?", ele me perguntou.
Principalmente, de perder você. Eu pensei, mas não disse. Respondi outras coisas de menor importância.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Madrugada, 3h e 47 min


O que ela não daria pra ver como ele está, nesse momento. Ela só gostaria de saber se ele está bem, se é feliz, se tem filhos, se sua cor preferida ainda é azul, se ainda ri jogando a cabeça pra trás, se ainda gosta de olhar o nascer do sol de sua varanda, se continua em assistir aquele bendito filme, se relê o livro que ela lhe deu de presente, se a dedicatória ainda está lá, se ele fica com raiva com frequência, se fica desenhando coisas estranhas no guardanapo de papel; coisas que ela amava, só pelo fato de terem sido feitas por ele. Mas faz tanto tempo, que ela nem acredita que lembra disso. Ela acha que deveria ter esquecido e ela realmente devia. Porém ela se pegunta porque ela devia esquecer? Afinal as lembranças são as únicas coisas que restam a ela. As lembranças de ontem, do ano passado, de um minuto atrás. As lembranças que ele lhe deu. O passado que ele deu a ela. Porém ela não quer saber do passado, quer saber como ele está. E quer saber já.
É madrugada, 3h e 47 min, ela levanta da cama, pega as chaves do carro, abre a porta e sai.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A Sombra do Vento

"Sentada sozinha na sombra, arrumando seus lápis, suas pastas e suas lembranças em silêncio, com os olhos envenenados de lágrimas"

A Sombra do Vento (Carlos Ruiz Zafón)

Bem que eu gostaria de ter escrito isso.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Tantas escolhas. E eu só quero uma.
A que eu não tenho.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Silêncio


Estávamos sentados no parque, sem olhar um para o outro. O lago à nossa frente estava calmo e ele espelhava o dia nublado, incomumente frio para a época do ano. Mas, apesar do frio, meu corpo estava em chamas, pois ele estava ao meu lado.
Continuamos olhando para frente. Ele sabia o que ele devia fazer.
Coragem, eu queria dizer. Só diga. E ele respondeu com silêncio. E eu também não disse nada.
Então me lembrei de algo, algo que eu não sentia há muito tempo. Meu ato foi inexplicável, mas simplesmente a palavras fluíram rapidamente para fora de mim.
- Gostaria de sentir o gosto dos seu lábios de novo.- Depois fiquei quieta, ele não respondeu nada.- Esqueça o que eu disse, por favor. - supliquei, me arrependendo das palavras ditas anteriormente.
Então, ele finalmente separou os lábios e disse:
- Eu só... Só não sabia o que dizer.
Um eu também bastaria. Ou um eu não sinto o mesmo seria mais honesto, eu pensei.
O silêncio e o frio estavam tomando conta de nós. Continuamos olhando para frente. Levantei e olhei para ele, não nos olhos, se eu olhasse para seus olhos, eu afundaria lá e talvez não conseguiria voltar à superfície. Dei-lhe um beijo na testa e saí andando vagarosamente. Ele continuou olhando para frente, eu também. Mas nunca mais tornei a olhar para trás.


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Está chovendo lá fora. Os pingos caem ritmados. Eu gosto do som, me faz ficar sonolenta. E tudo o que eu mais quero é mergulhar na inconsciência.
Está chovendo lá fora, mas a água é doce. Enquanto que a água que escorre aqui dentro, é salgada.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Ursinhos de pelúcia também não.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Desejo


Quero passar o dia todo em uma grande banheira com água morna. Quero fazer um pouco de café para mim. Quero rir. Quero beijar você. Quero passar o resto do dia na sua cama. Quero dormir mais. Quero fazer algo bom. Quero impressionar meus pais. Quero fugir. Quero morar longe. Quero ficar perto de você. Quero sentir a água da chuva escorrer pelo meu rosto. Quero lavar a alma. Quero correr como criança. Quero nadar no rio. Quero acordar com você sorrindo porque estou descabelada. Quero brincar com as folhas do jardim. Quero ler suas mãos. Quero jogar baralho. Quero jogar as cartas na sua cara. Quero livros. Quero você dentro de mim. Quero ter uma casa pequena. Quero ficar sentada no quintal e observar o pôr do sol. Quero brincar no balanço. Quero conversar com meus avós. Quero que eles riam. Quero rir quando você cair da nossa cama. Quero um filho seu. Quero vê-lo crescer. Quero cuidar dele. Quero que você cuide de mim. Quero sorrir e perceber que você gosta disso. Quero morrer do seu lado. Ou pelo menos, morrer sabendo que você me ama.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Três Sorvetes para Duas Pessoas


O silêncio no carro era quase palpável. Ele queria dizer alguma coisa. Ela não queria falar sobre nada. Ele queria consola-la, dizer que eles podiam tentar de novo. Mas ele também queria alguém para consola-lo, portanto permaneceu calado. Assim como ela.
- Estou aqui!- o vazio, no ventre dela, gritou.
Só os dois podiam ouvir. E só ela o sentia.
Ela olhava para a janela do carro, enquanto ele dirigia. O dia estava ensolarado, um dia feliz. Um dia perfeito para sair para o parque e tomar um sorvete com os filhos, pensou ela. Mas como o dia podia estar tão perfeito, se ela mesma não via graça em nada.
O carro parou. Ele colocou as mãos sobre as dela.
- Virão outros. - ele murmurou.
- Eu não quero outros, quero este! - ela gritou, tirando as mãos dela das dele. - Eu queria este - ela disse novamente, passando a mão na barriga. E riu, sem graçamente, da ironia. Seu bebê não estava ali, não adiantava apontar ele em sua barriga desabitada. Ele não estava ali. Não estava em lugar nenhum.
Primeiro um soluço, depois dois. Ela chorava e ele também. Se abraçaram. Eles se amavam, tinham um ao outro. E não era suficiente. Faltava alguém.


- Três sorvetes, por favor.
- Amor... Somos apenas nós dois.


Conversas II

- Você devia procura-lo. - ele disse, ofegando.
- Porque? - ela perguntou, sabendo exatamente do que ele estava falando.
- Porque você o ama, eu vejo nos seus olhos.
- Mas...
- Eu?
- É... Você... Eu pensava que você me amava. O que aconteceu com o seu amor por mim?
- Eu... Primeiro eu fiquei bravo porque você tinha se apaixonado de novo por ele. Mas eu acho que você nunca o esqueceu. E agora...
- Agora...?
- Quando você estava com ele...
- O que?
- Você parecia tão feliz.
- Mas eu pensei que você me amasse e quisesse ficar comigo.
- E é pelo fato de eu te amar que estou deixando você livre. - ele disse, entre lágrimas.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Sopro de Vida

Era uma manhã nublada com uma chuva fina, que quase não dava para sentir. O vento embalava as folhas das árvores.
A bicicleta me levava adiante, eu deslizava pelas ruas. De repente, uma poça de água está a minha frente e eu não a vejo. Então tropeço, fico encharcada. Mas não me importo, é a água da chuva. Uma ferida aqui, outra ali, sangue escorrendo de meus joelhos. Não me importo. Volto à bicicleta e vou deslizando de novo, a chuva fica forte, a água lava minhas feridas e elas ardem. Minhas pernas não tem mais tanta força.
Um terreno íngreme surge a minha frente, faço esforço e vou subindo. Meu corpo dói, mas isso me faz refletir. Em nossas vidas há tantas poças d'água e terrenos íngremes, mas nós temos de enfrenta-los. Passar por eles e nos tornar mais fortes.
Então tento me esforçar mais. Subir com mais força, mesmo com as feridas ardentes.
O esforço é bom, faz como que eu me sinta viva. Faz com que eu queira mais.


(Título sugerido por Rômulo Oliveira)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Qualquer Coisa

Os pingos de chuva na janela, a louça suja, os livros jogados no chão, a cama arrumada e vazia, os flocos de chocolate que não dissolvem no leite, a pequena foto na carteira. Para qualquer lado que ela olhe, alguma coisa faz com que ela lembre-se dele. Mas, talvez não seja isso, talvez seja só o fato de que na mente dela só haja ele. E isso a leva à crer que tudo lembra ele.
Ela precisa esvaziar a mente. Precisa pensar no nada. Pois o nada significará a ausência dele. E a ausência dele significará dor. E então, ela terá tempo para apenas se concentrar na dor. E não nele.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Há vezes em que eu gostaria de ter apenas os olhos. Ficar só observando. Não precisar falar.

domingo, 10 de janeiro de 2010

A chuva apertou, encharcando os dois, como se quisesse dissolvê-los em um só corpo, num abraço eterno...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Evaporar


A noite fria se esvaía ao meu redor. A neve se misturava a lama, fazendo-a ficar de uma cor que eu conhecia há muito tempo. Eu já não conseguia me mexer, não sentia as extremidades de meu corpo. Olhava para o lugar ao meu redor, mas não me fixava em nada. Quando a vi, ela já estava perto demais, os olhos azuis da velha senhora assustaram-me. O olhar dela era muito intenso, mas ao mesmo tempo pareciam vazios. Então ela focou em minha mão e vi suas mãos enrugadas entregarem a mim uma caixa de fósforos. A abri e ali havia um único palito de fósforo. Minhas mãos gélidas tremiam incontrolavelmente, eu não iria conseguir acende-lo, a senhora me olhou e era como se tivesse lido meus pensamentos. Acendeu o fósforo para mim e o colocou de volta em minha mão.
Fixei-me no fósforo, achei que talvez, quando ele apagasse eu estivesse morta. Então concentrei-me naquela luz fraca e lenta. Senti a vida se desvanecer em mim. Indo para um lugar que eu não conhecia. Evaporando. Escorregando de meu corpo, como água a escorrer por nossas mãos. O fósforo se apagou.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Copos Vazios

Você dirige a noite toda, eu durmo
Você começa a ficar sonolento, eu acordo
Você cai na calçada, eu tomo meu leite vencido
Você se levanta e vomita, eu lavo a louça
Você volta pra casa, eu saio
Você ronca feito um porco, eu vomito o maldito leite
Você dorme mais, eu volto para casa
Você acorda, eu começo a gritar feito louca
Eu brigo, você briga
Você dá socos na parede, eu começo a comer compulsivamente
Você joga baralho sozinho, eu ouço música
Você murmura algo para a TV, eu reclamo da sujeira
Você bebe, eu bebo mais
E nós brigamos e lutamos
Nossos corpos se encontram, nossas almas se distanciam
Você pede desculpas, eu não as aceito
Você implora, eu cedo
Mas sua alma tem repulsa à minha
Você tira o carro da garagem, eu me deito
Você dirige a noite toda, eu durmo
Você está vazio e eu, oca.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Lábios Invisíveis

O gosto veio em minha boca, a lembrança inundou-me, o gosto de seus lábios estavam em minha boca e tudo veio à tona, o sabor veio de uma forma tão forte que me deu ânsia de vômito, era como se eu estivesse beijando seus lábios, invisíveis, afinal ele não estava ali. Ele morrera há alguns anos e eu nunca procurei lembrar dele, para que a dor lancinante não viesse a mim. Mas, por incrível que pareça, a dor não veio e o que senti, acho que foi felicidade, tendo seu gosto em minha mente, mesmo não o tendo ali. E naquele momento percebi que mesmo não estando ali, eu tive a certeza de que ele estava em algum lugar, olhando por mim.

As one

As palavras não saíram da boca dela, tentou murmurar algo, mas não foi possível. Não havia palavras a serem ditas.
Ela sabia que devia correr, ele também e então correram.
Na mesma direção.
Mesmo caminho.

As Melhores Coisas


I wish I could hold your hand now.

Café


O café fumegava em minha frente. Forte, não da cor marrom-chocolate que eu esperava, mas de um preto intenso, escuro. Como minha mente no momento. Havia raiva nela. Impotência e medo. Vontade de corrigir os erros e vontade de abraça-los e errar cada vez mais. Como se nada mais tivesse tanta importância, ninguém mais importasse. Como se a vida fosse passar diante de mim, e eu não tivesse nada a temer. Não havia por quem temer, não havia ninguém.
Então abracei os erros. Abracei-o como quem recebe um ente conhecido. E era o que eles realmente eram pra mim.
Abracei-os e a vida mudou.
Todas as coisas mudaram.
Todas as coisas mudarão de agora em diante.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Deleite

Naquele pequeno espaço abafado e sem ventilação, havia livros, montes deles. O lugar quente era desconfortável, eu suava sem parar. Minúsculos pingos de suor escorriam por minhas costas, eu parecia sentir cada um deles.
Sentada, escorada em uma da estantes, avistei um livro, pequeno e quadrado. Muito branco, lembrando neve. Levantei-me, preguiçosamente, indo em direção ao livro. Quando peguei-o, descobri que seu nome era 'Leite'.
Em algum tempo, já estava deitada na abafada livraria, deliciando-me com a leitura do livro. Saciando a sede de conhecer novos mundos, como vida escorrendo para dentro de mim. Estava sentindo o gosto do leite em minha boca, descendo pela garganta, diluindo-me completamente.

Conversas I


- No que está pensando agora?
- Eu realmente não sei.
- Como pode não saber? É o que você está pensando, só você pode saber.
- Bom, eu estava só vagando.
- Então, me diga, eu gostaria de saber.
- Por que?
- Só curiosidade.
- Então... Deixa eu ver... Eu estava pensando sobre as árvores.
- As árvores?
- É, as árvores. Sobre quando as folhas deixam as árvores, elas as deixam quando estão preparadas,
- Como preparadas?
- Você sabe... Quando elas estão amarelas... Ou vermelhas... Depende.
- Ah.
- Então... Eu estava pensando que nós devemos deixar nosso lar, quando estivermos preparados... Maduros...
- Então você pretende deixar seu lar?
- Quando eu estiver preparada.
- E quando vai estar preparada?
- Eu não sei... Eu penso que é algo que você vai sentir.
- Mas quando vai sentir isso?
- Eu não sei nem se vou sentir isso.
- Então você está perdida?
- Como eu sempre estive.
I see you