quinta-feira, 20 de maio de 2010

Madrugada, 3h e 47 min


O que ela não daria pra ver como ele está, nesse momento. Ela só gostaria de saber se ele está bem, se é feliz, se tem filhos, se sua cor preferida ainda é azul, se ainda ri jogando a cabeça pra trás, se ainda gosta de olhar o nascer do sol de sua varanda, se continua em assistir aquele bendito filme, se relê o livro que ela lhe deu de presente, se a dedicatória ainda está lá, se ele fica com raiva com frequência, se fica desenhando coisas estranhas no guardanapo de papel; coisas que ela amava, só pelo fato de terem sido feitas por ele. Mas faz tanto tempo, que ela nem acredita que lembra disso. Ela acha que deveria ter esquecido e ela realmente devia. Porém ela se pegunta porque ela devia esquecer? Afinal as lembranças são as únicas coisas que restam a ela. As lembranças de ontem, do ano passado, de um minuto atrás. As lembranças que ele lhe deu. O passado que ele deu a ela. Porém ela não quer saber do passado, quer saber como ele está. E quer saber já.
É madrugada, 3h e 47 min, ela levanta da cama, pega as chaves do carro, abre a porta e sai.

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