
A noite fria se esvaía ao meu redor. A neve se misturava a lama, fazendo-a ficar de uma cor que eu conhecia há muito tempo. Eu já não conseguia me mexer, não sentia as extremidades de meu corpo. Olhava para o lugar ao meu redor, mas não me fixava em nada. Quando a vi, ela já estava perto demais, os olhos azuis da velha senhora assustaram-me. O olhar dela era muito intenso, mas ao mesmo tempo pareciam vazios. Então ela focou em minha mão e vi suas mãos enrugadas entregarem a mim uma caixa de fósforos. A abri e ali havia um único palito de fósforo. Minhas mãos gélidas tremiam incontrolavelmente, eu não iria conseguir acende-lo, a senhora me olhou e era como se tivesse lido meus pensamentos. Acendeu o fósforo para mim e o colocou de volta em minha mão.
Fixei-me no fósforo, achei que talvez, quando ele apagasse eu estivesse morta. Então concentrei-me naquela luz fraca e lenta. Senti a vida se desvanecer em mim. Indo para um lugar que eu não conhecia. Evaporando. Escorregando de meu corpo, como água a escorrer por nossas mãos. O fósforo se apagou.
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