terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Três Sorvetes para Duas Pessoas


O silêncio no carro era quase palpável. Ele queria dizer alguma coisa. Ela não queria falar sobre nada. Ele queria consola-la, dizer que eles podiam tentar de novo. Mas ele também queria alguém para consola-lo, portanto permaneceu calado. Assim como ela.
- Estou aqui!- o vazio, no ventre dela, gritou.
Só os dois podiam ouvir. E só ela o sentia.
Ela olhava para a janela do carro, enquanto ele dirigia. O dia estava ensolarado, um dia feliz. Um dia perfeito para sair para o parque e tomar um sorvete com os filhos, pensou ela. Mas como o dia podia estar tão perfeito, se ela mesma não via graça em nada.
O carro parou. Ele colocou as mãos sobre as dela.
- Virão outros. - ele murmurou.
- Eu não quero outros, quero este! - ela gritou, tirando as mãos dela das dele. - Eu queria este - ela disse novamente, passando a mão na barriga. E riu, sem graçamente, da ironia. Seu bebê não estava ali, não adiantava apontar ele em sua barriga desabitada. Ele não estava ali. Não estava em lugar nenhum.
Primeiro um soluço, depois dois. Ela chorava e ele também. Se abraçaram. Eles se amavam, tinham um ao outro. E não era suficiente. Faltava alguém.


- Três sorvetes, por favor.
- Amor... Somos apenas nós dois.


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